Peças encomendadas: missão impossível



O pastor encomendou uma peça para o seu grupo de teatro e quer que ela seja executada num prazo muito inferior ao necessário. Ele ainda quer novidades e efeitos mirabolantes. Sua missão, se você quiser, é  fazer essa peça. Essa fita vai se auto-destruir em 3 segundos.

Quem nunca passou por isso que atire a primeira pedra. Vamos aos fatos.

O que acontece quando a gente aceita?

Já de cara a gente sabe que:

- se vocês tivessem o tempo necessário a peça poderia ser muito melhor executada. Poderia ter sido o que deveria.

Mas peças encomendadas  fora do prazo são assim mesmo, medíocres!

O líder sabia disso, o grupo sabia disso, o pastor até sabia disso, a igreja, bem a igreja talvez nem desconfie. Afinal é uma peça pra Jesus e quem ousará criticar a apresentação?

Quando você aceita uma peça encomendada um prazo muito inferior ao necessário para executá-la, você já esta dando um atestado a Deus e ao público, de que você fará o pior possível. Nesse atestado tá escrito claramente, bem já que eu não tenho prazo, se algo sair errado, é por falta de tempo necessário.

Porque então você aceitou?

Sabemos que o teatro feito na igreja é muito diferente, em vários aspectos, do teatro feito fora da igreja. Mas como líder e diretor de um grupo de teatro, você precisa ter um posicionamento e ter um diálogo com seu pastor/padre. Precisa deixar claro que determinada montagem exige um período de construção criativa e muitas vezes você não vai conseguir fazer isso em uma semana ou duas, ou no prazo que ele estabeleceu.

Ninguém pede para um músico compor uma canção de um dia para o outro. Será que ele conseguiria?  Pode até conseguir, mas com certeza vai soar mediocre. Será que o coral conseguiria ensaiar uma canção num dia e apresentar essa canção no outro? O tecladista consegue tirar uma música de um dia pro outro? Então porque o grupo de teatro tem essa obrigação? Porque aceitamos executar tarefas não impossíveis, mas improváveis, que resultam num desempenho desastroso?

Porque você aceita isso? Atitudes assim de aceitar trabalhos com prazo muito curto sabendo que não vai conseguir fazer o seu melhor, só vão resultar no desânimo para o seu grupo. O seu grupo vai ficar desestimulado porque não puderam oferecer o melhor por falta de tempo.

Pense a longo prazo. Pense nas consequências. Para fazer o melhor, para desenvolver o melhor, é muito importante que seu grupo de teatro saiba que existe uma coisa chamada do processo de criação de um espetáculo. Você e o seu grupo precisam juntos descobrir esse caminho. Cada grupo tem o seu caminho.  

Então lembre-se do necessário diálogo com sua liderança, para que não haja missões impossíveis, que só o teatro pode resolver: Vai ter um evento daqui a duas semanas na igreja e nós precisamos de uma peça teatral que fale do tema X e lá vai o grupo de teatro fazer... Isso só prejudica o seu grupo, prejudica o trabalho do seu grupo, desanima e desestimula e ainda corre o risco de mostrar para o público um trabalho carente de preparo, de técnica, atuação e direção.

Não permita que as pessoas determinem como vai ser o seu processo criativo. Isso é uma construção coletiva do seu grupo. 

Fazer teatro é uma tarefa difícil. Não é fácil como parece para os de fora. Não deixe que as pessoas pensem que é fácil fazer teatro. Não colabore, não incentive esse pensamento. 

Converse com sua liderança, planeje antecipadamente. Datas como Dia das Mães, Natal, Páscoa, Crianças, pais entre outras comemoradas com eventos na Igreja, podem ter apresentações teatrais de modo tranquilo, planejando com antecedência no calendário da igreja. Até mesmo temas de campanhas da Igreja, podem ser informadas antes ao teatro para que possa construir apresentações teatrais.

O diálogo e o respeito é o caminho. 




Luiza Regina Reis

Coordenadora ETAC
luizareginareis@bol.com.br
whats app 21 98755-0316

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