Danças Divinas ou Divinas Danças? Dança na Bíblia, pode ou não pode?

A Bíblia traz uma série de referências a essa arte, no qual hoje, alguns ministérios das Igrejas atuais, utilizam para celebrar, adorar ou orar, sendo que na Adoração, o maior dançarino foi o Rei Davi. Mas a própria Bíblia relata a dança tanto para o bem, como para o mal. Afinal, podemos dançar? Mas para entendermos este Ministério, temos que entender a história da dança.
A dança é uma das expressões artísticas mais antigas do mundo, indo até a pré-história, onde dançava era pela vida, ou seja, pela sobrevivência, dançava para a natureza em busca de mais
alimentos, água e também em forma de agradecimento, era assim que o homem começava a olhar para o Alto e sentir que havia um ser superior, que os abençoava, conforme dançavam. A dança era quase um instinto, tudo era motivo de dança na época primitiva e tudo era registrado nas paredes de cavernas em forma de desenhos, ficaram conhecidos como arte rupestre. O homem primitivo pintava nas paredes das grutas, cavernas e galerias subterrâneas cenas de caça e rituais que representavam a caçada e faziam dança quando conseguiam este alimento. O homem evoluiu e a dança obteve características sagradas em rituais divinos, os gestos eram místicos e acompanhavam rituais. Quando entramos já na linguagem Bíblica e temos o Egito como primeiro exemplo, a dança no antigo Testamento era ritualística e tinha características sagradas. Dançava-se para os Deuses, em casamentos e funeral na Grécia, a dança ajudava nas lutas e na conquista da perfeição do corpo. Já na Idade Média se tornou profana, ressurgindo no Renascimento. A dança tem história e essa história acompanha a evolução das artes visuais, da música e do teatro. A dança na Grécia originou-se de rituais religiosos, os gregos acreditavam no seu poder mágico, assim os vários deuses gregos eram adorados e cultuados de diferentes maneiras, eles preparavam fisicamente, pois os guerreiros dançavam muito antes e depois dos combates e sempre eram feitas em grupos, ela foi muito difundida na Grécia Antiga, importante no teatro, a dança se manifestava por meio do coro. A dança nasceu associada às práticas mágicas do homem, com o desenvolvimento da civilização, o rito separou-se da dança. Já no Império Romano, a dança entra em decadência, pois nunca foi privilegiada e só vai recuperar sua importância no Renascimento, sendo que na idade média, a dança, como todos os outros movimentos artísticos, sofreu um retrocesso. A dança, pelo fato de se utilizar do corpo como expressão, foi considerada profana, porém, continuou sendo praticada pelos camponeses. Alguns personagens Bíblicos, como Salomão, havia instruído quando afirmou que, se existia “um tempo para chorar e um tempo para rir”, havia também “um tempo para se lamentar e um tempo para bailar” (Eclesiastes 3, 4). A Bíblia estimula a dança? Seria sempre favorável a ela? Mas e no caso de Moisés, quando ele sobe ao topo da montanha do Sinai para receber ali as Tábuas da Lei, os hebreus, no vale, ficaram impacientes por não vê-lo descer de volta. Então, tiveram a idéia de atrair para si os favores de uma hipotética divindade, eles rapidamente reuniram suas jóias com o objetivo de fundir com elas a estátua de um bezerro de ouro, começaram da dançar. Quando Moisés desce e olha o acampamento, ele assiste: “o bezerro e as danças”, e ele inflama-se de cólera (Êxodo 32, 19). A minha conclusão ao ler estes textos bíblicos, mostra que essa demonstração pode significar uma alegria fora de lugar, irracional, criando a raiva em Moisés, pois ele associou esta dança e ao bezerro, algo que foi trazido do país dos filisteus, no qual comem e dançam para festejar as vitórias. Portanto na visão de Moisés, a dança era maldita, algo ruim. Outro fato de como a dança era visto como algo ruim vemos no episódio de Salomé, que, obrigada e instigada pela mãe, Herodíades, vai ao salão da festa de aniversário do rei Herodes, ela simplesmente, entra e dança, diante de diversos homens e essa dança, agradou a Herodes e aos convidados. Herodes encantado com a dança e pela jovem, faz a seguinte pergunta: “Peça-me qualquer coisa que você quiser, e eu lhe darei’” (Marcos 6, 22). Ela de imediato, para agradar a mãe, pede nada menos que a cabeça de João Batista. Claro que a reprovação, no qual a Bíblia, nos por intermédio desses exemplos venha em grande parte da atitude dos dançarinos, antes que da atividade deles em si mesma. A dança, no Mundo antigo, lá no oriente em geral e no mundo bíblico em particular, não era apenas um divertimento, mas de compartilhar o momento de alegria. Claro que a Dança que a Bíblia relata, tem um significado religioso e usado muito para ritual e de intimidação ao adversário, outro exemplo, foi os sacerdotes de Baal, para responder ao desafio lançado pelo profeta Elias, tentaram, em vão, acender o fogo, dançando, gritando em alto e bom som, sobre o altar que eles haviam preparado no alto do monte Carmelo (1 Reis 18, 26). Portanto esses exemplos do bezerro de ouro, Salomé e dos adoradores de baal, a dança não era permitida! Mas nosso Senhor Jesus Cristo, já é chegado a uma festa, tanto que para começar a festa, o primeiro milagre, foi numa cerimônia de casamento, não era apenas isso. Jesus, certo dia, procurou definir a que se assemelhavam os homens de seu tempo: “São como crianças que ficam sentadas na praça e gritam umas às outras: ‘Nós tocamos flauta, mas vocês não dançaram’” (Lucas 7, 32). Jesus lamentava que os homens, não entendiam a alegria e a falta de dança, para compartilhar alegria, porém, o que ele mais afirmou aqui é que era preciso que eles soubessem ser como uma criança, que está sempre disponível para qualquer solicitação de alegria! Então, Jesus nos ensina que, a dança é abordada, como um ato de aproximação do sagrado, onde a dança faz a aproximação de Deus e o homem; Dançava-se no espaço livre diante do Templo de Jerusalém enquanto se rezava ao Eterno. Aliás, o salmista e Rei Davi, encorajou a atitude da dança: “Alegre-se Israel no seu Criador, exulte o povo de Sião no seu Rei! Louvem o seu nome com danças; ofereçam-lhe música com tamborim e harpa” (Salmos 149, 2-3). Certamente foi com esse comportamento do Rei Davi, diante da Arca da Aliança, um cofre contendo, entre outros itens, as Tábuas trazidas por Moisés, sobre as quais estava gravada a Lei. A partir deste ano, o Ministério Arena de Cristo, utiliza da Dança em seu congresso, entendemos que temos Dançamos, por que o Senhor tem transformado nossa tristeza em Alegria. Lembramos que a Igreja nasceu em Jerusalém, não em Roma. “Desromanizamos”, assim, o nosso entendimento, e profetizamos que onde está o Espírito de Deus, aí há liberdade. Quando Davi trouxe a Arca do Concerto de volta, ele vinha dançando à Sua frente. Davi é um "tipo" do Messias. Como um noivo que se alegra em se encontrar com a noiva, assim o Ministério Arena de Cristo e todos “arenautas” se preparam para o encontro com o seu noivo, a dança é uma linguagem universal, pois torna possível contar uma história com o início, meio e fim, assim como o teatro e através dos movimentos dançados mais as pantomimas, que são peculiares a esta forma de expressão, vencemos as barreiras da língua e falamos com as emoções. Os movimentos falam. Um gesto pode ferir mais do que uma palavra, daí a preocupação com essa forma de linguagem, nós do Arena de Cristo temos a honra de trazer ao nosso congresso, mais uma arte acadêmica e para isso o seu corpo docente, tem os mais capacitados professores neste quesito! Tenham um ótimo congresso.

Flávio Gonzalez, Teólogo, Mestre em história da Igreja, Professor da área de teologia histórica, formado pela faculdade de teologia Wittenberg e Seminário Teológico Batista do Sul, mestrando em teologia do Novo Testamento.

3 comentários:

Denisa disse...

Gostaria de Parabenizar ao Senhor Flavio pelo artigo esclarecedor. Vou levar até meu grupo esta leitura. Parabens ao Arena pela iniciativa!

Karina Lopes disse...

Excelente artigo! Muito bom! Parabéns.

Larissa Angel disse...

Gostei.