Ainda aqui, da Cia Cerne (RJ)


Dois atores. Um pneu. Algumas correntes. E estou ainda aqui tentando digerir o que vi.

Domingo. 08 de Setembro de 2013. São Paulo. Já se passava das 18h. E me coloquei sentado na cadeira do teatro para assistir a estreia do espetáculo “Ainda aqui” da Cia. Cerne. Com dramaturgia e Direção de Vinicius Baião. Higor Nery e Leandro Fazolla no elenco. Trata-se de um espetáculo interessantíssimo. Não quero me ater a contar a história, até porque o espetáculo ainda não entrou em temporada, foi apenas uma prévia dentro de um Festival que também estava participando com um espetáculo meu.


Irei falar sobre teatro. Sensações. Essa capacidade que nós artistas temos de contar histórias. Cada vez mais, buscamos linguagens, formas, métodos e indício de contar histórias. “Ainda Aqui” se propõem em sua sinopse a permear o versículo bíblico de Tiago 3,10. (De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim). E o que se passa desde do momento do primeiro sinal até o último suspiro dos atores é uma sucessão de lirismo. Não há como não se deixar levar pela fragmentada história e seus caminhos, quase que cinematográficos. Cortes, planos, ações. Estamos no meio de um espetáculo com referências expressionistas, porém nos acalantando com um texto poético, ácido-doce. Talvez o melhor texto que já tenha visto do autor.

Os atores estão em uma sintonia bela. Destaco a Mãe interpretada pelo ator Leandro Fazolla e a Criança interpretada pelo ator Higor Nery. Em nenhum momento duvidei da representação. Os atores foram permeando os diversos personagens e nos intrigando com as interrogações que vão sendo respondidas aos poucos. Porém, não no nosso tempo de plateia ansiosa. A peça é cuidadosamente desdobrada, para que o público possa sentir seu cheiro derradeiro apenas no fim.

Estranhamento, curiosidade, lirismo e encantamento. Um final que me deixou com lágrimas nos olhos. Pronto é isso... ou também é isso. Só sei que hoje é Terça-feira e estou “ainda aqui” tentando digerir o que vi. Parabéns aos amigos por me deleitar com um teatro pulsante, potente e vivo. Evoé Cerne! Bravo!

Gabriel Barros.
Diretor Teatral.
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